A renomada “Slant Magazine” consagrou “Vogue” como a segunda maior canção dance de todos os tempos, ficando atrás apenas de Donna Summer com “I Feel Love“. Confira o que o artigo fala da música:

A pista de dança de Madonna, como a arena de um baile drag, tem a atmosfera de um evento esportivo, um local de comunhão social. A emoção de vogar pelas rainhas negras e latinas está tentando passar pelo branco. Madonna entende essa “patologia racial”, para citar o crítico Armond White, como uma forma de “seguir o fluxo”. “A beleza é onde você a encontra”, ela canta, contrariando a fantasia abnegada da fantasia que voga – a música pode ser um precursor de “Seja você mesmo” de Celeda. Madonna pode encontrar beleza nos ícones de Hollywood do passado, mas entende os sentimentos de negação que seu estrelato costuma disfarçar. O produtor Shep Pettibone, um garoto branco cujas raízes estão na house music e no hip-hop, ajuda a enfatizar essa ideia com suas batidas; ele e Madonna reconhecem vogar pelo artifício que é. Esse é um ponto que White não entende quando critica a lista de estrelas fixas em branco da cantora, esquecendo que Rita Hayworth nasceu Margarita Carmen Cansino e que seu status de superestrela em Hollywood com pão branco se baseava em sua capacidade de dar bons frutos.

Madonna também aparece com outros dois grandes hits na lista: “Into The Groove” em #17 e “Hung Up” em #42.

Na minha resenha de “Confessions on a Dance Floor“, fiz uma distinção entre “Into the Groove” e outros famosos hinos de dança de Madonna, a “Music”, “Vogue” e “Holiday“, com consciência de imagem. Madonna postula o álbum como um local de mudança social ou, pelo menos, uma fuga da realidade sombria que está à margem da pista de dança. Mas, com “Into the Groove“, ela é decidida: é o amor que ela procura, não apenas um parceiro de dança. Em seu primeiro single, “Everybody“, ela chamou o garoto sentado para dançar com ela, mas parou de convidá-lo a tocar seu corpo. É difícil imaginar a mulher mais famosa do mundo dançando sozinha em seu quarto à noite, trancando as portas para que “ninguém mais possa ver” (como ela canta aqui), mas você não pode deixar de acreditar nela. A música – e a performance de Madonna – são boas. A música pode ser uma revelação, de fato.

Hung Up” emprega um relógio para representar o medo de perder tempo, mas Madonna não está cantando sobre envelhecer ou salvar o mundo – ela está falando sobre amor. Seguindo as reflexões espirituais de “Ray of Light” e a postura sociopolítica pedante de “American Life” de 2003, “Hung Up” foi decididamente insípido. Com seus vocais agudos, uma amostra de arpejo infeccioso de “Gimme Gimme Gimme (A Man After Midnight)” do ABBA, e a mudança de chave arquetípica e irônica, da ponte, a trilha aponta para o passado e provou que, 20 anos em sua carreira Madonna ainda era a única rainha dançante.

A lista completa você confere clicando aqui!

Abaixo, segue uma playlist cedida pelo fã Ricardo Viana, com todas as músicas! Vale muito a pena conferir!