Os álbuns de Madonna neste século tendem a cair em duas categorias: os na-zona-de-conforto ou “que porra ela tava pensando?“. A tendência é pensar que os super estranhos são melhores, mas nada é tão óbvio no universo de Madonna. 

Confessions on a Dance Floor” foi a execução totalmente segura de uma ideia óbvia – por que uma das maiores artistas Disco na história não faz simplesmente um álbum nesse estilo? – mas ao mesmo tempo, brilhante. Enquanto isso, o comprovadamente estranho “American Life” também é comprovadamente um cu.

E essa é apenas uma das razões pelas quais Madonna continua sendo a rainha de todas as Rainhas Pop. 

Mesmo assim, “Madame X” é tão admiravelmente bizarro que tudo que você pode fazer é observar ela se deixando levar. “It’s a weird kind of energy“, ela canta em “God Control”, um raro momento de sutileza. Ela mergulha num caldeirão de estilos latin-pop, completo com uma faixa reggaeton chamada “Bitch I’m Loca“. É só pros fãs que gostam do lado “loca” dela, cheia de experimentos que nenhuma outra popstar no mundo arriscaria.

Ela se aliou ao superstar colombiano Maluma pro single causador “Medellín”, aprendendo a fazer o cha-cha-cha em seu novo e estranho sotaque. 

Tem muito mais de onde saiu “Medellín”, com um vocoder que canta “O Quebra-Nozes” em “Dark Ballet”, ou o momento em que ela esbraveja “People think that I’m insane/The only gun is in my brain/Each new birth, it gives me hope/That’s why I don’t smoke that dope.” 

Ela se juntou a Quavo, Diplo e Swae Lee. Por mais estranho que seja, há grandes momentos de Madonna no álbum, como em “Crave”, uma canção de amor com violão acústico onde ela se desfaz um pouco do sotaque e se deixa levar pela emoção, ou o trip-hop de “Crazy”. 

Pra chegar neles, porém, é preciso suportar “Killers Who Are Partying”, onde ela pondera opressão política: “I’ll be Islam if Islam is hated/I’ll be Israel if they’re incarcerated.” Tem algo de satisfatório sobre música que provoca uma reação do tipo “preocupado com Madonna“. Fala sério, não ficamos orgulhosos por nossos ídolos mega-pop dos anos 80 ainda sentirem vontade de se arriscar assim?

Imagine voltar àquela época e dizer pra alguém que um dia Madonna vai cantar “Bitch, I’m Loca” na mesma semana em que Bruce Springsteen lançará um álbum conceitual sobre cavalos. Essas duas lendas nunca nos decepcionam, cada um do seu jeito. 

O tempo dirá se “Madame X” terá longevidade ou não. Mas, se você ama Madonna por sua sem-vergonhice, “bitch, she’s loca“.

Nota: 3/5