Nossa nona entrevista com as Batukadeiras da “Madame X Tour” é com a Iara Santos! Vamos lá!

Sou a Iara, tenho 20 anos, nasci e moro em Lisboa, Portugal. Sou descendente de cabo-verdianos, no entanto ainda não tive oportunidade de visitar Cabo Verde. Até à data da Tour, era aluna da licenciatura em Gestão de Recursos Humanos, na Universidade de Lisboa, e trabalhava como assistente de vendas numa loja de roupa. Atualmente, após a Tour, estou a terminar o curso de licenciatura (que teve de ficar em suspenso por causa da mesma) e estou a desenvolver um projeto na área de cosmética natural.

Como foi seu primeiro contato com a Madonna? Você poderia nos descrever?

Conheci-a na gravação do vídeo de Batuka. À chegada, ela fez questão de
cumprimentar todas as pessoas presentes, uma a uma. Quando chegou até mim, perguntou-me qual era o meu nome e a minha idade (na altura tinha 19 anos). De forma muito carinhosa, ela tocou-me na cara e disse-me que eu ainda era um bebé. Durante a gravação foi possível ver o envolvimento dela com a música e, sobretudo, com a história do batuco.

Madonna faz questão de sempre dar destaque a culturas locais em seus álbuns, turnês e apresentações. Para você, qual a sensação de ter uma música no álbum da Rainha do Pop?

Com a música Batuka foi possível divulgar ainda mais o batuco, um género musical tradicional de Cabo Verde e, mais importante, a história do batuco e papel da mulher cabo-verdiana nessa história. Existem vários artistas caboverdianos que divulgam o batuco através dos seus trabalhos, como são exemplos o Dino D’Santiago e o falecido Orlando Pantera. Agora, esta música vem ajudar ainda mais esse movimento.

Você esteve presente nas gravações do clipe de Batuka? Poderia nos contar como foi a gravação?

A gravação contou com cerca de 23 mulheres cabo-verdianas e descendentes de cabo-verdianos. Participaram mulheres de todas as idades, desde os 19 até aos 70 anos, penso eu. Todas estas mulheres têm em comum o batuco, sendo elas praticantes ou apenas apreciadoras. O ambiente era quase de festa, mas sempre respeitando as direções dos profissionais.

Para você, qual o impacto de ter as Batukadeiras no álbum e turnê da Madonna?

À semelhança do que disse anteriormente, este projeto, desde o álbum até à tour, foi importante para fazer chegar o batuco e a história das mulheres caboverdianas a todos os que, até ao momento, não conheciam.

Você tem vontade de participar mais uma vez de algum álbum ou turnê da Rainha do Pop?

Claro que sim!

Antes dos ensaios para a turnê, houve um workshop. Você poderia nos falar um pouco sobre ele?

Apesar de ter recebido o convite, não estive presente no workshop. Na altura, não foi possível ausentar-me de Portugal por razões profissionais e porque estavam a começar as provas na faculdade. Inclusive, mais tarde, durante uma oração antes do show tive oportunidade de justificar e lamentar a minha ausência em Londres (podem encontrar o vídeo desse momento no instagram).

Como foram os ensaios para a Madame X Tour? Eles duraram quanto tempo?

Os ensaios foram intensos, na medida em que havia pouco tempo para aprender muita coisa, cerca de 2 meses e meio. No entanto, todos os envolvidos eram bastante profissionais, organizados. Então, apesar do trabalho árduo, tudo flui bem e, rapidamente, adaptamo-nos ao ritmo de trabalho.

Havia uma rotina nos ensaios?

Sim. Os ensaios começavam de modo individual, isto é, cada grupo (banda,
dançarinos e batukadeiras) ensaiavam as suas partes e, ao final de tarde,
reuníamo-nos e ensaiávamos em conjunto. No ensaio das batukadeiras,
começamos sempre por alongar o corpo, em seguida aquecer a voz e,
posteriormente, ensaiar vezes sem conta todas as músicas.

Essa rotina dos ensaios mudou com o início da Madame X Tour?

Sim. A carga horária de ensaios reduziu visto que ensaiávamos apenas algumas performances ou o show completo, quando mudávamos de teatro.

Vocês participaram de outros números do concerto para além de Batuka. Destes, quais foram seus momentos prediletos?

Para além de Batuka, participamos em ‘’God Control’’, ‘’Come Alive’’, ‘’Like A Prayer’’ e ‘’I Rise’’. Das nossas participações, a minha predileta era ‘’Like a Prayer’’, pela energia e felicidade do público. Do resto do show, adorava
‘’Frozen’’. A coreografia era simples, mas ficava completa com a projeção e, no backstage, era emocionante ver as violinistas tocar.

Qual seu figurino favorito que você utilizou na turnê? Você ainda o tem ou eles ficam com a equipe da Madonna?

O meu figurino favorito foi o de ‘’Come Alive’’. Todos os figurinos ficaram com a equipa.

Faz Gostoso, parceria de Madonna e Anitta, chegou a ser cogitada de entrar na setlist para o show? Além dela, Looking For Mercy e Bitch I’m Loca também foram cogitadas?

Na minha presença nunca foi discutida a inclusão desses temas na setlist. No entanto, não sei se em algum outro momento foi.

A Madame X Tour foi planejada para ocorrer em teatros. Em algum momento ela foi planejada para visitar estádios ou arenas?

Penso que não. Várias vezes durante o concerto Madonna referiu que fazer um show num teatro era um sonho. Logo, penso que a ideia sempre foi se restringir aos teatros, nunca considerando arenas e estádios.

As Batukadeiras participaram da concepção dos blocos e da setlist da turnê? Como Madonna faz a escolha?

Não, essas escolhas não contavam com a nossa opinião. A setlist foi
organizada de modo a contar uma história. O alerta para a repressão e violência surge no primeiro bloco, em seguida a experiência em Lisboa, com ‘’Batuka’’ e fado club e, por fim, um bloco mais animado que transmite esperança e positividade em relação à realidade relatada no primeiro bloco.

Como era o relacionamento da Madonna com vocês durante os ensaios e shows?

Mantínhamos, sobretudo, um relacionamento profissional, no entanto existiam momentos mais descontraídos.

As Batukadeiras ainda tem contato com a Madonna, após o término da turnê?

Infelizmente não. Mas mantemos contacto com todos os outros musicos e
dançarinos.

Madonna se lesionou na turnê, tendo que cancelar alguns shows e reagendar outros. Ela falava algo sobre isso nos bastidores?

Tanto nos bastidores como durante o show, Madonna fazia questão de nos
ensinar que não podíamos garantir nada na vida, nem mesmo algo simples como andar. No momento de oração, agradecia sempre a possibilidade de realizar o show naquela noite.

Como Madonna, a equipe e você, lidaram com os cancelamentos e adiamentos de alguns shows?

Face a um cancelamento, só nos cabia respeitar a decisão.

Vimos um vídeo das Batukadeiras cantando Rescue Me, ela chegou a ser ensaiada muitas vezes? Chegou a ter uma performance planejada?

Por vezes, cantávamos músicas para testar como o show fluiria se as mesmas fizessem da setlist, mas sem nenhuma garantia. Esse vídeo remete a um desses momentos.

Com o fim da turnê, houve uma festa em comemoração. Você poderia nos dar detalhes? Contar alguma coisa engraçada, divertida, diferente, que rolou?

A festa foi divertida, mas o fim foi marcado por muitas lágrimas e abraços.
Estávamos todos conscientes de que aquele poderia ser o último abraço visto que metade vive no continente Americano e a outra metade vive no continente Europeu.

De todas as cidades visitadas com a turnê, qual foi a melhor? Qual tinha o público mais animado?

O público mais animado, nos Estados Unidos, foi o de Los Angeles e, na
Europa, o de Londres. Ambos muito energéticos.

Antes da participação de vocês nas músicas, durante o show, o que ocorre nos bastidores? Poderia nos contar como é a rotina do show?

Em dias de show, a preparação começa no camarim. Fazemos a maquilhagem, preparamos o penteado e vestimos a roupa da primeira performance. Ao longo do show, isto é, entre as performances que contam com a nossa participação, há tempo para retocar a maquilhagem e comer um snack. Minutos antes das performances vamos para perto do palco e verificamos se está tudo bem com os microfones e auriculares.

Todo mundo quer saber, vai ter registro do show? Será que sairá em breve?

Sei tanto quanto vocês. Gostaria muito que houvesse qualquer tipo de registo, não só para partilhar com familiares e amigos que não tiveram oportunidade de assistir ao show, mas também para eu ir matando saudades dessa experiência.

Como você define sua vida antes e depois deste trabalho com a Rainha do Pop? Qual o legado deixado por Madonna na sua vida, principalmente no profissional?

Com 20 anos, ainda estou a aprender muito sobre o Mundo e sobre a vida. Esta experiência permitiu-me formular novas opiniões sobre esses aspetos. A convivência com pessoas mais velhas e experientes fez-me querer adotar novas formas de pensar e agir. Aprendi muito com a Rainha da Pop, nomeadamente como conquistar o respeito em ambiente de trabalho; a importância dos detalhes, da perseverança, do profissionalismo, da liberdade de expressão, entre outros. Aprendi, também, com as restantes batukadeiras e as suas histórias de vida. Com certeza, aplicarei todas estas aprendizagens na minha vida futura, principalmente, se quiser atingir o sucesso.

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