Em uma conversa exclusiva com o RainhaMadonna, a Batukadeira Cátia Ramos contou vários detalhes da “Madame X Tour“, dos bastidores, ensaios, da sua vida, cultura e impacto da turnê em sua vida! Sem mais delongas, vamos lá!

Oi, sou a Cátia Ramos uma das Batukadeiras da Madame X Tour, trabalho como coordenadora de CATL (Centro de atividades de tempos livres). Sou casada e tenho uma filha de 11 anos. Tenho uma página no Facebook/Instagram @Cacau, Baunilha e Caramelo, aonde dou dicas de receitas, práticas, econômicas e saudáveis. Estou me formando na área do Coaching.

Como foi o primeiro momento de Madonna com as Batukadeiras? Você estava presente neste encontro? Se não, como foi seu primeiro contato?

No primeiro encontro eu não estive presente. Mas o meu primeiro encontro foi quando fomos gravar o primeiro dia do videoclipe.

Madonna faz questão de sempre dar destaque a culturas locais em seus álbuns, turnês e apresentações. Para você, qual a sensação de ter uma música no álbum da Rainha do Pop?

É uma sensação maravilhosa. Ver a minha cultura sendo ouvida e conhecida pelo mundo todo, não tem como não sentir tanto orgulho.

Além de Batuka, vocês gravaram mais alguma música com Madonna que foi descartada do Madame X?

Não. Só fizemos de coro para as músicas da tourné.

Pra você, qual o impacto de ter as Batukadeiras no álbum e turnê da Madonna?

O impacto é muito grande e maravilhoso, ter as Batukadeiras foi como ter a cereja no topo do bolo.
Algo antes desconhecido por muitos mas que chegou e tocou nos corações dos fãs que até então só viam a Madonna.

Você tem vontade de participar mais uma vez de algum álbum ou turnê da Rainha do Pop?

Claro que sim!!!! Isso nem se pergunta!!!

Agora vamos falar da turnê, que é uma coisa que muita gente quer saber, já que infelizmente vocês não vieram para o Brasil!

Como foram os ensaios para a Madame X Tour?

Muito intenso!!! Foram ensaios de horas e horas… Chegando a sair dos estúdios às 5h00/ 6h00 da manhã. Trabalhando muitas vezes 12 horas por dia por vezes até mais. Por vezes foi difícil, mas vendo a diva trabalhando sem reclamar fez com que nós começássemos a ver as coisas numa outra perspectiva. Mas deu uma sensação de enorme gratidão.

Batuka, parceria de Madonna com as Batukadeiras, é profundamente política. Tanto no videoclipe como no concerto, há uma mensagem que mostra a natureza política do batuque por si só. Poderia falar um pouco a respeito disso?

O Batuko como se designa vem de muito tempo, da história das nossas ancestrais que utilizavam o Batuko como maneira de expulsar a dor e a violência que eram sujeitas pelo homem branco no tempo da escravatura dos negros. Algumas peças de vestuários tinham como objetivo defender
as mulheres de serem violadas (pano terra) e as tchabetas, instrumento utilizado para tocar no Batuko era para expulsar as suas dores enquanto tocavam.

Vocês participaram de outros números do concerto para além de Batuka. Destes, quais foram seus momentos prediletos?

O meu predileto foi Came Alive!!! Transmitia uma grande energia em palco… A nossa entrada era fenomenal.

Como foi seu primeiro momento com Madonna?

Maravilhoso. Ela super gentil, super humilde. Cumprimentando todas uma a uma.

Foram ensaiadas músicas que não estão presentes no show? Você se lembra de alguma que você queria muito cantar?

O repertório foi variando consoante o que íamos fazendo e o que também ela queria. Gostaria de ter cantado o Rescue Me.

Pra você, qual o impacto cultural do álbum e turnê Madame X?

O impacto é enorme. Como eu já tinha referenciado em cima, Cabo Verde passou a ser conhecida e reconhecida pelo mundo.

Qual foi seu maior desafio pessoal durante a turnê?

O meu maior desafio foi gerir sentimentos e emoções.

Além dos locais visitados, você queria ter ido em mais algum país com a turnê? Nós, do Brasil, queríamos muito a Madame X Tour por aqui, já que Madonna tem um público enorme e fiel por aqui!

Gostaria de ter ao Brasil claro, mas também gostaria de ter ido a Itália.

As Batukadeiras contribuíram com as ideias para a concepção da apresentação de Batuka, Come Alive e Like a Prayer?

Havia coreógrafos encarregues de fazer as coreografias das músicas, mas todos tinham uma opinião a dar, e todas foram ouvidas, assim como também Madonna fazia ou modificava algumas coisas.

Como era o relacionamento da Madonna com vocês durante os ensaios e shows?

Super profissional, muita dedicação e ao mesmo tempo muito à vontade. Um ambiente muito amisticioso.

Madonna participou da concepção da estrutura do palco? E as cidades visitadas, ela escolheu?

Tudo o que envolve a tourné passa por ela, nada avança sem o seu ok.

Madonna chegou a chorar de dor em um dos shows de Paris, onde ela caiu. Nesse show, houve alguma tensão nos bastidores?

Claro que sim, ficamos todos apreensivos sem saber o que se tinha realmente passado e como ela estaria.

Como Madonna, a equipe e você, lidaram com os cancelamentos e
adiamentos de alguns shows?

Sendo ela essa profissional e muito perfeccionista custava-lhe ter que estar a cancelar shows, mas uma vez que era a saúde que estava afetada mais valia recuperar para depois continuar. Para nós, o que nos incomodava eram ver os fãs… era de dar dó!! Pessoas que tinham viajado de longe outras que tinham feito empréstimos para poder ver o show e no fim eram cancelados… mas enfim.

Alguma música saiu da setlist de última hora? E alguma entrou? As
Batukadeiras participariam de mais alguma música no show?

Não. Assim que a setlist foi finalizada, nada mudou

Com o fim da turnê, houve uma festa em comemoração. Você poderia nos dar detalhes? Contar alguma coisa engraçada, divertida, diferente, que rolou?

Foi uma festa super divertida, mas também muito triste, porque não seria assim que queríamos finalizar a tour. Muito amor no ar, amor de uma grande família.
Dançavamos e aproveitamos os últimos momentos. Houve muito choro, muitos abraços!

Qual foi a maior dificuldade na turnê?

A maior dificuldade como já disse foi gerir as emoções e os sentimentos. Porque ter 14 mulheres, de personalidades muito fortes e todas juntas durante 9 meses não é fácil. Mas com uma boa gestão acabamos por superar quaisquer obstáculos e desavenças que fomos encontrando pelo caminho.

Madonna aprendeu bem o português?

Sim… o básico para poder cantar.

Todo mundo quer saber, vai ter registro do show? Será que sairá em breve?

Eu e todas nós gostaríamos que tivesse. Mas não sabemos.

Como você define sua vida antes e depois deste trabalho com a Rainha do Pop? Qual o legado deixado por Madonna na sua vida, principalmente no profissional?

O meu antes e depois como Cátia, continua na mesma nada mexeu comigo e com a minha maneira de ser do antes e do depois. Mas sei que muitas oportunidades estão chegando por eu ter feito parte da tour. De
momento a nível profissional continua uma incógnita devido a essa situação do Covid-19. O meu legado já está marcado. Nas histórias da internet, na tour book, no videoclipe… eu vou deixar historia. E acreditem que tudo na vida é possível, só depende de nós mesmos.

Posso dizer que esta até então foi uma das melhores experiências que eu já vivi. Tive a oportunidade de conhecer 8 cidades dos Estados Unidos… E em cada cidade aproveitei para conhecer lugares temáticos e saber também um pouco das suas histórias. Poder voltar novamente a Portugal, Inglaterra e França.
Foram diversas aventuras, muitas alegrias, algumas tristezas e muito choros!! Voltaria a fazer tudo de novo. Conhecer pessoas que nunca tinha pensado nem em chegar perto, pessoas que só vemos através de um ecrã. Realizar o meu sonho e o meu objetivo que era chegar a Hollywood. Não era o meu sonho mas se tornou realidade, pisar e dividir o palco com a Rainha da Pop Madonna.

Agradecemos imensamente a Cátia pela entrevista, e deixamos abaixo o Instagram dela e das Batukadeiras da turnê. Esperamos contar com ela novamente por aqui! Em breve, mais novidades para vocês!

Essa entrevista é exclusiva ao site RainhaMadonna. Sua reprodução, total ou parcial, deverá ter autorização dos administradores, sob as penas da lei (art. 184 do Código Penal).